A tarifa do transporte coletivo urbano de Manaus passou por dois reajustes entre 2023 e 2025 que elevaram o valor da passagem de R$ 3,80, patamar mantido desde 2017, para valores que chegam a R$ 6,00, conforme a forma de pagamento. O aumento acumulado no período é de aproximadamente 58% e tem origem em uma combinação de fatores técnicos, financeiros e administrativos apresentados pela Prefeitura e analisados por órgãos de controle.
O primeiro reajuste ocorreu em maio de 2023, quando a passagem passou de R$ 3,80 para R$ 4,50, um aumento de 18,42%. À época, a Prefeitura de Manaus informou que a correção foi aplicada após seis anos sem atualização tarifária e que os custos do sistema vinham sendo compensados por subsídios públicos. Segundo o município, a defasagem entre o valor pago pelo usuário e o custo real do transporte pressionava o orçamento municipal.
Em 2025, a tarifa voltou a ser reajustada. Decretos municipais estabeleceram novos valores conforme a forma de pagamento, chegando a R$ 6,00 na tarifa cheia, aplicada principalmente ao vale-transporte corporativo. Modalidades como pagamento eletrônico e benefícios sociais mantiveram valores diferenciados. Considerando o valor máximo da tarifa, a evolução entre 2023 e 2025 representa um aumento acumulado próximo de 58%.
A Prefeitura atribui os reajustes ao aumento dos custos operacionais do sistema. Entre os principais fatores apontados estão a elevação do preço do diesel, gastos com manutenção da frota, compra de pneus e peças, além de reajustes salariais dos rodoviários. Estudos técnicos apresentados pelo Instituto Municipal de Mobilidade Urbana indicam que o custo por passageiro é superior ao valor pago diretamente na catraca, exigindo complementação por meio de subsídios.
Outro ponto citado pela administração municipal é a necessidade de reequilíbrio financeiro do sistema. Antes dos reajustes, parte significativa da operação era bancada com recursos do município. Com os novos valores, a gestão afirma buscar reduzir gradualmente a dependência de subsídios para garantir a continuidade do serviço.
Os aumentos foram questionados por usuários e entidades civis e passaram a ser acompanhados pelo Ministério Público do Amazonas, que instaurou procedimentos administrativos para verificar a legalidade dos reajustes e a transparência dos dados apresentados pelas empresas concessionárias. O tema também chegou ao Judiciário. Liminares chegaram a suspender os aumentos, mas decisões posteriores autorizaram a aplicação das novas tarifas, sob o entendimento de que a interrupção poderia comprometer o equilíbrio econômico do serviço público.
Com os novos valores, Manaus passou a figurar entre as capitais com tarifas mais elevadas do país, embora outras cidades também pratiquem valores semelhantes ou superiores. Especialistas apontam que reajustes têm ocorrido em diferentes regiões do Brasil, impulsionados pelo aumento dos custos e pela queda no número de passageiros registrada após a pandemia.
Apesar das justificativas técnicas apresentadas pelo poder público, usuários continuam relatando problemas como superlotação, intervalos irregulares e condições dos veículos. A Prefeitura afirma que realiza ações de fiscalização, renovação da frota e investimentos em mobilidade urbana. O debate sobre o valor da tarifa e a qualidade do serviço segue em curso.
