O deputado federal Silas Câmara declarou apoio ao nome de Jorge Messias para uma possível vaga no Supremo Tribunal Federal.
O parlamentar chegou a classificar Messias como “jurista competente” e “homem de Deus”, o que provocou forte repercussão, especialmente entre eleitores conservadores. A controvérsia gira em torno da atuação de Messias à frente da Advocacia-Geral da União.
Ele assinou um parecer enviado ao STF em uma ação que discutia a validade de uma resolução do Conselho Federal de Medicina que proibia a chamada assistolia fetal após 22 semanas em casos previstos em lei.
No documento, a AGU argumentou que a regulamentação sobre aborto deve ser definida pelo Congresso Nacional, e não por órgãos administrativos.
A resolução acabou sendo suspensa por decisão do STF, o que ampliou o debate público. Críticos passaram a associar o parecer de Messias a consequências mais amplas, enquanto defensores afirmam que ele apenas exerceu sua função institucional, sem poder de decisão final.
Durante sabatina, o próprio Messias declarou ser pessoalmente contra o aborto, afirmando que sua atuação seguiu critérios técnicos e legais. Ainda assim, o apoio de Silas Câmara ao nome do advogado-geral expôs divisões dentro da base conservadora, levantando questionamentos sobre alinhamento de princípios e decisões institucionais.
O episódio evidencia o peso político das indicações ao STF e como posicionamentos jurídicos podem ganhar forte interpretação no campo ideológico.
Imagem: carta capital